Eu e ela...

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Eu e ela...

Mensagem por Nietzsche em Seg 16 Mar 2009, 11:59

De autoria desconhecida, permito-me partilhar convosco o sentimento pela montada traduzido em palavras:


"Entre mim e o chão está apenas um pedaço de metal inteligente e 10 cm de borracha. Este metal não é outro senão o meu melhor amigo, o meu cão de guarda, o meu confessor, a minha alma gémea. Por uma razão que só talvez Freud pudesse explicar, não o vejo como um ele, mas sim como uma ela.

As mãos, que estrangulam os punhos com uma determinação inabalável, são um elo perfeito, que nos liga aos dois, e nos tornam num só. Ela entende a minha linguagem corporal, obedece-me sem hesitar, dando o seu conselho de sábia de vez em quando, mas sem nunca pedir algo em troca, apenas o bom senso de não nos tornarmos efémeros.

Apesar de não falarmos como as outras pessoas, eu percebo o que ela me diz, numa telepatia de sons e sinais, com uma clareza só comparada a água.

Lá fora está frio, mas frio é apenas uma palavra de um dicionário que nunca li. Nada penetra para cá deste escudo que sinto quando estou com ela. Parece uma redoma, uma atmosfera própria dum mundo só nosso. Um mundo perfeito, na sua natureza simples, que me dá o que quero; alimenta-me os sonhos; faz-me crescer, como se grande me sentisse; e reproduz-me as ideias que ecoam no capacete, sem nunca saírem lá fora. Sinto-me completo.

Penso em toda a gente quando estou com ela, mas nunca me lembro de ninguém. Sinto-os desconhecidos, pessoas distantes do sítio onde estou agora.

A estrada parece vazia, apesar dos vultos que vejo passar à medida que acelero, guiado apenas por uma linha intermitente e algo desfocada, que se torna mais nítida quando ela grita mais alto.
Paramos para ver o mundo lá fora. Por ela, continuávamos até o sempre, mas estou cansado, por abraçá-la com tanta força. Descanso, mas sinto a vontade de voltar.

Ela chama-me.
E com um ligeiro toque, quase divino, num sítio certo, ouve-se o céu trovejar como se avisasse uma tempestade; mas é apenas o meu pequeno monstro, carinhosamente apelidado, a acordar da pequena sesta e a espreguiçar-se para uma nova aventura.
Junto-me a ela, volto para o nosso mundo e fecho a porta lá de fora.

E aí sim, o tempo pára, perco a noção de quem sou, donde vim, e ocupo-me apenas de para onde vou. As palavras deixam de ecoar na mente e o cérebro esvazia-se de pensamentos profundos. Sinto-me seguro com ela, como se criança fosse, protegida por alguém que nos tem um amor verdadeiro.

Está escuro lá fora.
Algo me empurra com a força de um furacão.
Este algo parece vento, mas não é o vento que as pessoas conhecem.
Parece conhecer-me, saber quem sou em todo o meu ser, e, entrando no meu mundo, sussurra-me ao ouvido, pela mais pequena fenda do capacete:
"não estás sozinho". "


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